A Gerra Contra a Obesidade

A guerra contra a obesidade
Todos sabem que a obesidade é fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, mas poucos têm noção de que ela também pode ser responsável pelo desenvolvimento de diversos tumores.

A relação entre o acúmulo de gordura corporal e o desenvolvimento do câncer não é uma novidade para os médicos, mas a epidemia de obesidade que se alastra pelo mundo vem agravando o problema e pedindo uma maior conscientização da população, particularmente das mulheres, já que muitos estudos indicam que a obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de vários tipos de câncer em mulheres, incluindo o de mama e de endométrio (a parede interna do útero).

O relatório Saúde Brasil 2009, divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2010, revelou que 46,6% dos brasileiros estão acima do peso e que a obesidade tem forte impacto sobre uma das doenças que já se apresenta como a segunda causa de morte no país e no mundo: o câncer. Em 2010-2011, o Brasil terá quase 1 milhão de novos casos: 978.540.

Em estudo publicado em fevereiro de 2010 pelo Inca, em parceria com o Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF), revela que uma parte importante dos casos de câncer poderia ser evitada no Brasil a partir do controle da obesidade. Segundo o relatório, no Brasil, a obesidade é responsável por 14% dos casos de câncer de mama.

“Enquanto na década de 1970 cerca 6% das brasileiras eram obesas, nos anos 1990 esse número dobrou”, explica a mastologista Fabiana Baroni Makdissi, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Segundo ela, manter-se com um peso saudável, o que exige alimentação equilibrada e exercício físico, é um aspecto-chave da prevenção. “É preciso se cuidar. É uma questão de qualidade de vida”, diz a médica.

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Questão Hormonal

Engana-se quem pensa que o tecido adiposo é inerte, um conjunto de células destinadas simplesmente a acumular gordura. Não, além de ser muito ativo, ele também se comporta como uma glândula, isto é, produz hormônios, normalmente em pequenas quantidades.

Por meio de enzimas, o colesterol (um dos constituintes da gordura) é convertido em estrógeno, que está comprovadamente associado ao desenvolvimento de câncer na parede interna do útero e de boa parte dos tumores de mama. Assim, mulheres com excesso de peso têm maior nível desse hormônio na circulação sanguínea, o que as torna mais vulneráveis a essas doenças. Mas é depois da menopausa que o risco fica ainda maior.

Durante a fase reprodutiva da mulher, são os ovários que produzem a maior parte do estrógeno. Depois da menopausa, a presença desse hormônio na circulação cai muito, embora nunca chegue a zerar, justamente por causa da atividade do tecido adiposo, explica a oncologista Maria Del Pilar Esteves Diz, do Instituto do Câncer de São Paulo Otávio Frias de Oliveira.

“Quando há muito tecido adiposo, os níveis de estrógeno ficam acima do desejado”, afirma a médica. O resultado é uma superestimulação tanto do endométrio como do tecido mamário, numa fase da vida em que isso não deveria mais ocorrer.

O problema é que justamente na pós-menopausa as mulheres têm mais facilidade para engordar. “Depois da menopausa, há uma queda no metabolismo, ou seja, o gasto enérgico é menor. Se a mulher continua comendo igual, o resultado é o ganho de peso”, explica Fabiana Makdissi.

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Depois da Quimioterapia

A mastologista chama ainda a atenção das mulheres cuja menopausa foi induzida, temporária ou definitivamente, pela quimioterapia usada no tratamento do câncer. “Para aquelas que tiveram câncer de mama ou de endométrio, prevenir o ganho de peso é mais importante ainda, porque nelas o risco já é maior”, Makdissi.

Perder peso é a melhor forma de diminuir o risco desses dois tipos de câncer feminino, e a receita é bem conhecida: atividade física regular, ainda que moderada, e alimentação com pouca gordura saturada, muitas frutas e vegetais, em intervalos de aproximadamente três horas. “Também não é para ficar magérrima”, ressalta Maria Del Pilar Esteves Diz, que explica que um pouco de tecido adiposo é saudável e necessário.

Em vez de ficar obcecada com o valor indicado pela balança, a mulher precisa estar atenta ao Índice de Massa Corpórea, que não deve ser maior que 25 [veja a seguir]. E ninguém deve esperar a menopausa para se cuidar, pois, já que vai ser difícil emagrecer depois dela, o melhor é chegar lá com o peso sob controle. Lembrando que isso não prevenirá apenas o câncer de mama ou de endométrio, mas também outros tipos de tumor (colorretal, rim, pâncreas e esôfago), bem como uma série de outros problemas de saúde associados à obesidade.

“Estamos vivendo cada vez mais e temos de pensar seriamente na qualidade de vida que queremos no futuro”, diz Makdissi. “Eu costumo dizer que quem não encontrar tempo para prevenir doenças, o que pode ser feito com prazer, provavelmente um dia vai ser obrigado a encontrar tempo para tratá-las.”

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Calcule seu IMC

Calcule seu IMC
Mais que o valor indicado pela balança, o controle do peso saudável deve se pautar pelo Índice de Massa Corpórea (IMC), que é calculado com a divisão do peso (em quilos) pela altura (em metros) elevada ao quadrado: IMC= kg/m2.

• O ideal é que o número obtido não ultrapasse 25 e não seja menor que 18,5
• Entre 25,1 e 29,9, a pessoa é considerada com sobrepeso, o que já começa a trazer problemas de saúde
• Acima de 30 ela está obesa, e os riscos de câncer, doenças cardiovasculares e diabetes são mais altos ainda.

Fonte
Quando se considera que uma pessoa é desnutrida? E obesa? Consultado em 07 de outubro de 2014.
Disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quando-se-considera-que-uma-pessoa-e-desnutrida-e-obesa

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