Estadiamento do Câncer de Colo do Útero

 

Após a confirmação do diagnóstico de câncer de colo do útero, os profissionais de saúde precisam identificar a extensão da doença. Nesse sentido, o estadiamento do câncer de colo do útero representa o grau de disseminação do tumor no momento do diagnóstico, ou seja, identifica se a doença está restrita ao colo do útero, ou se houve comprometimento de outros órgãos no corpo. O processo de estadiamento fornece informações importantes para que os profissionais de saúde determinem o tipo de tratamento adequado para cada caso. O resultado do estadiamento também permite fornecer um prognóstico à paciente, ou seja, prever a evolução da doença.

Para realizar o estadiamento os médicos se utilizam de normas estabelecidas internacionalmente, as quais refletem características específicas do tumor, como extensão e disseminação da doença para outros órgãos. Os resultados são combinados para determinar o estágio do câncer de cada paciente.

É importante salientar que o estadiamento do câncer de colo do útero é definido no momento do diagnóstico e não muda com o passar do tempo, mesmo se o câncer reduzir, se disseminar, ou retornar após tratamento. Nestas situações, as novas informações são adicionadas para descrever a evolução da doença, mas o estadiamento continua o mesmo.

Dois sistemas semelhantes são utilizados para o estadiamento de câncer do colo do útero: sistema FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), e sistema TNM, da AJCC (American Joint Committee on Cancer).

O sistema AJCC classifica o câncer de colo do útero de acordo com três características da doença: extensão do tumor (T), se o tumor se disseminou para os nódulos linfáticos (N), e se houve disseminação para locais
distantes, ou seja, metástase (M). A denominação TNM é então utilizada como abreviação de tumor (T), linfonodo (N) e metástase (M).

O sistema TNM utiliza uma classificação de 0 a IV para identificar o estágio do tumor, uniformizando a nomenclatura entre os profissionais de saúde. Adicionalmente, combinações de letras e números são acrescentadas após as letras TNM, para indicar características específicas do tumor.

A letra T seguida de um número de 0 a 4 é utilizada para descrever o tumor, incluindo tamanho e localização. O letra N seguida dos números 0 a 3 indica se houve disseminação para os gânglios linfáticos, e a letra M
é utilizada para indicar se o câncer se espalhou pare outras partes do corpo.

O sistema da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia é o mais usado para estadiamento:

Estadiamento FIGO

Estágio O: O tumor é um carcinoma “in situ”, superficial, encontrado apenas nas células de revestimento do colo do útero e ainda não invadiu os tecidos mais profundos.

Estágio I: O tumor invadiu o colo do útero, mas não se espalhou para outros órgãos.

• Estágio IA: é a forma mais inicial do estágio I, caracterizada por uma quantidade muito pequena de células cancerosas que só podem ser vistas ao microscópio;

• Estágio IA1: a área invadida pelo câncer tem 3mm de profundidade e até 7 mm de largura;

• Estágio IA2: a área invadida pelo câncer tem entre 3 mm e 5 mm de profundidade e até 7 mm de largura;

• Estágio IB: neste estágio geralmente o câncer pode ser visto sem a ajuda de um microscópio. Ele inclui também o câncer que já avançou mais de 5mm no tecido conectivo do colo do útero ou tem mais de 7mm de largura, mas só pode ser visto ao microscópio;

• Estágio IB1: O câncer é visível, mas não tem mais de 4 cm;

• Estágio IB2: O câncer é visível e tem mais de 4 cm.

Estágio II: O câncer não está mais restrito ao colo do útero, mas ainda se limita à região pélvica.

• Estágio IIA: O câncer atingiu a parte superior da vagina, mas não o terço inferior;

• Estágio IIB: O câncer atingiu o tecido vizinho ao colo do útero, o chamado tecido parametrial.

Estágio III: O câncer se espalhou para a parte inferior da vagina ou para a parede pélvica e pode bloquear os ureteres, canais que levam a urina dos rins para a bexiga.

• Estágio IIIA: O câncer atingiu o terço inferior da vagina, mas não a parede pélvica;

• Estágio IIIB: O câncer atingiu a parede pélvica e/ou bloqueia o fluxo de urina para a bexiga.

Estágio IV: É o mais avançado, em que o câncer atinge órgãos próximos ou de outras partes do corpo.

• Estágio IVA: O câncer se espalhou para a bexiga ou reto, que ficam perto do colo do útero;

• Estágio IVB: O câncer se espalhou para órgãos distantes, como os pulmões.

Referências:
http://www.accamargo.org.br/tudo-sobre-o-cancer/colo-do-utero/11/
http://www.cancer.org/cancer/cervicalcancer/detailedguide/cervical-cancer-staged/

Exames Complementares para o Estadiamento

Quando o resultado da biópsia do colo do útero indica a presença de câncer, exames diagnósticos complementares poderão ser solicitados para averiguar se a doença se espalhou para estruturas além do colo ou cérvix uterina.

Radiografia de Tórax: exame de imagem que utiliza Raios X para criar imagens das estruturas do corpo. A radiografia de tórax é solicitada para verificar se o câncer de colo do útero se espalhou para os pulmões.

Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-SCAN): PET-SCAN é a sigla para Positron Emission Tomography ou em português, Tomografia por Emissão de Pósitrons. Este exame baseia-se no princípio que as células atingidas pelo câncer consomem mais glicose que as demais células do organismo. Um tipo de glicose ligada a um elemento radioativo é administrada para observar o aproveitamento da substância ao percorrer o organismo do paciente. As moléculas de glicose tendem a se concentrar nas células tumorais, permitindo o mapeamento destes locais pelo exame. Este exame é útil para detectar a presença do câncer nos nódulos linfáticos, especialmente em estágios mais avançados.

Cistoscopia: neste procedimento um dispositivo óptico denominado cistoscópio é utilizado. Após anestesia, um tubo delgado é inserido pela uretra até a bexiga, permitindo ao médico visualizar estas estruturas e avaliar se houve comprometimento das mesmas pelo câncer.

Proctoscopia: neste exame o reto é inspecionado por um endoscópio, para avaliar se o câncer de colo do útero se disseminou para esta parte do tubo digestivo.

Tomografia Computadorizada: trata-se de um exame diagnóstico que permite visualizar imagens dos órgãos internos. O paciente permanece deitado em uma mesa que desliza dentro de um tubo, que emite radiação na região do corpo a ser examinada. Estas radiografias transversais são posteriormente processadas e combinadas pelo computador para gerar imagens em detalhes da área corporal em avaliação. Em algumas situações pode ser necessário a administração de contraste, para melhor delinear as estruturas em estudo. A análise das imagens geradas permite verificar se o câncer se espalhou para outras estruturas além do colo uterino, como abdômen, pelve, fígado e pulmões.

Ressonância Nuclear Magnética: este exame gera imagens detalhadas do organismo por meio de um campo magnético, não fazendo uso de Raios X. O aparelho possui o formato semelhante a um cilindro aberto nas extremidades, por onde o paciente é colocado deitado. Além de produzir imagens de secções transversais, a ressonância produz imagens longitudinais, paralelas ao comprimento do corpo. Esta técnica é especialmente útil para analisar tumores localizados na região pélvica, assim como verificar se houve disseminação para o cérebro ou medula óssea.

Referências:
http://www.cancer.org/cancer/cervicalcancer/detailedguide/cervical-cancer-diagnosis
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/exames-de-imagem-para-o-diagnostico-do-cancer-do-colo-do-utero/1285/284/

Estadiamento vs Tratamento

O processo de estadiamento do câncer de colo do útero é essencial para planejar o tratamento mais adequado a cada caso. Após realizar o estadiamento, a equipe médica vai avaliar e recomendar as possíveis opções terapêuticas para cada paciente.

Embora a escolha do tratamento esteja associada ao estadiamento da doença no momento do diagnóstico, outros fatores podem influenciar as opções de tratamento, como idade e estado geral de saúde da paciente, e tipo de doença (células escamosas ou adenocarcinoma). Os tratamentos podem interferir na vida sexual da mulher e até na possibilidade de ter filhos no futuro. Neste momento, é muito importante avaliar suas necessidades e discutir com os profissionais envolvidos os possíveis riscos e efeitos colaterais de cada alternativa terapêutica, antes de tomar uma decisão.

As principais opções de tratamento para câncer de colo do útero são cirurgia, quimioterapia, radioterapia, e terapia alvo.

Referências:
http://www.cancer.org/cancer/cervicalcancer/detailedguide/cervical-cancer-treating-general-information
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamentos/768/128/