Hala Moddelmog é um exemplo de mulher consciente. Disposta, alegre, batalhadora, persistente e feminina, ela é uma vitoriosa, como as milhares de mulheres que enfrentaram e venceram o câncer de mama. Presidente e diretora-geral da Susan G. Komen for the Cure, a maior ONG do mundo na luta contra a doença, Hala tem muito para contar sobre sua experiência pessoal e voluntária em relação ao assunto. Durante sua participação no 1º Fórum de Qualidade de Vida em Mulheres com Câncer de Mama, realizado em Porto Alegre, em março de 2009, ela concedeu uma entrevista exclusiva* ao Mulher Consciente na qual deixa claro que a detecção precoce é capaz de salvar vidas. Confira a seguir.
Como é presidir uma ONG que ajuda inúmeras pessoas no combate a uma doença tão séria como o câncer de mama?
Quando você trabalha para uma organização como a Komen, levanta-se todos os dias sabendo que tudo o que faz tem um potencial que poderá salvar a vida de uma mulher. É isso que me motiva. Ao angariarmos fundos, uma nova pesquisa é feita. Essas novas pesquisas podem criar tratamentos para uma pessoa que talvez não tivesse esperança de viver por não poder contar com tratamento algum até o momento.
Qual é a melhor forma de recrutar e manter voluntários? Qual das tarefas é a mais difícil?
Temos de encontrar pessoas que tenham paixão e dedicação, porque são elas que farão o trabalho. Nos Estados Unidos não é difícil recrutar nem manter voluntários. Entre as mulheres que se encorajam a entrar nessa luta, não há quem diga não. Elas sabem que têm de tomar parte, pois isso as ajuda a lutar contra o seu câncer e seus problemas. Quando elas pensam em ser voluntárias, pensam nas suas filhas, com a pretensão de que essa doença seja erradicada e sua família não seja atingida.
Como estimular a ciência para encontrar a cura do câncer de mama?
Em geral, os cientistas querem fazer as pesquisas, mas não possuem recursos suficientes. Então, eles pedem a nossa colaboração para que esses projetos de estudos sejam concretizados, a fim de que possam trazer curas e tratamentos novos. Quando você coloca um grupo de milhares de mulheres contando as suas histórias, pedindo apoio e tratamento, isso atrai muito a atenção da mídia e do poder público, ao contrário de outros tipos de câncer, em que a sobrevida não é tão alta. Nós somos um grupo mais visível, por ser maior em número. Logo, quando os cientistas e essas companhias veem essa multidão, há uma motivação para que colaborem conosco.
Que quesitos um tratamento deve contemplar para ser considerado completo e de qualidade em relação ao câncer de mama?
A melhor forma que eu vejo de tratar o câncer é a paciente ter um local onde possa fazer a mamografia, receber apoio psicológico e instrução. Só assim é que entendo um tratamento completo. Ou seja, é um conjunto de ações que vão desde o exame até o apoio emocional.
Qual a sua avaliação em relação às políticas públicas do Brasil voltadas para o câncer de mama?
Eu estou muito impressionada com o sistema de saúde do Brasil, mas o que me pergunto é se as mulheres que precisam fazer a mamografia estão usufruindo das leis que já existem e que as assistem. Acredito que ainda lhes falte informação, pois, se elas não entendem que a detecção precoce pode salvar sua vida, elas não terão motivação alguma para fazer o exame.
O que pode ser feito para que cada vez menos mulheres tenham câncer de mama?
Prevenir-se, ter cuidado com a alimentação e o consumo de álcool, cuidar da obesidade, não fumar e fazer exercícios físicos. É uma questão de estilo de vida que se deve buscar. Mas o meu maior conselho é a detecção precoce, pois essa é a única solução que nós temos.
O que você destaca na história da sua luta contra o câncer de mama?
Desde que eu descobri a doença, tive muito apoio da minha família e, justamente por isso, não foi tão difícil enfrentá-la. O que me ajudou também foi o fato de que, naquela época, muitas pesquisas já tinham sido feitas e existiam grupos de ajuda que traziam informações a respeito da doença. E, por esse motivo, eu já sabia como o processo se desenvolveria.
O que de mais positivo você pôde aprender com essa experiência?
O câncer não precisa mudar quem você é. Ao receber o diagnóstico, a pessoa pode ser tratada e curada. Você não precisa perder a sua vida, tampouco sua alegria e vivacidade.
Na sua opinião, as mulheres dão a devida importância à própria saúde?
Eu vejo muitas mulheres se preocuparem mais com a saúde de seu marido e filhos, e até mesmo com a rotina da casa, do que com a própria saúde. Vejo isso acontecer mais em alguns países do que em outros. E o que eu digo a essas mulheres é: “Se você não estiver aqui e não se cuidar, não se sentir bem, quem cuidará da sua família e da sua casa?”. Por isso, é imprescindível que a mulher coloque a sua saúde em primeiro lugar.
Como uma vitoriosa, que mensagem você deixa para as mulheres que enfrentam a doença?
Gostaria de pedir que elas falem de sua história para outras mulheres e que façam a mamografia para que o câncer seja diagnosticado, pois a melhor forma de salvarem sua vida é com a detecção precoce.
Esta entrevista foi realizada com tradução simultânea de Flávio Stahl